55 - Mergulho
Ei, querida
Acabei de retornar de uma imersão de quatro dias de um mergulho em mim mesma. Fiquei pensando nesse espaço e por que gosto dele.
A primeira coisa que me veio foi aquela sensação gostosa de conseguir conversar com a própria consciência, com uma versão de você mesma que parece saber sobre o que é a vida afinal, sobre o que é esta trajetória particular e intransferível de viver, renascer a todo instante, levar umas traulitadas, se perder, chorar, conhecer o desespero, a angústia, a vergonha, não saber as respostas, mas continuar vivendo, seguindo em frente, tateando a vida em seu desdobrar numinoso.
Ter acesso a essa consciência me parece uma joia. E compartilhar a vida a partir dela me enche de um prazer que não consigo nomear ou descrever, mas você pode perceber a presença reiterante desse prazer ao me manter aqui escrevendo e tentando cultivar esse espaço.
Depois me veio que escrever cartas é justamente sobre isso. Sobre sentar-se com a própria consciência, com o arqui-narrador, e escrever para alguém de quem gostamos muito e confiamos. É abrir o espaço mais sagrado, o da intimidade, com a intenção única de construir um sentido juntos. De compartilhar mesmo a vida. De sentir que estamos juntos, que caminhamos juntos. E isso é uma coisa que me emociona muito. Construir uma estrada em que não se percorre sozinha. Olhar para o lado e, com os olhos marejados, ter a absoluta certeza de que, apesar de todo sentimento de solidão, não estamos sozinhas.
“Ela não está sozinha” foi uma frase que me veio ao me emocionar com a história de uma amiga de jornada, que, em prantos, encontrava seu caminho de volta para si mesma, sem deixar de abraçar e dançar com a própria dor.
Ter acesso a esses momentos, cultivá-los e buscar de alguma forma reverberá-los é minha intenção com esse espaço, com essa escrita.
Sigo sempre em dúvida. Já entendi que ela vai me aterrorizar vez ou outra durante o caminho, mas sigo firme no propósito de retornar ao que importa. Quando a dúvida vem, eu me pergunto qual é o propósito disso tudo, afinal. E então sigo em frente.
A dúvida é a minha pedra no caminho. Mas ela também tem me ensinado a recobrar as forças, por me motivar a retomar o sentido e reafirmá-lo. Hoje o sentido veio pela força da sua própria presença e quis lhe escrever, assim, de supetão. Há muito ainda que quero compartilhar. Em algumas semanas, me sinto fraca, me sentido apegada demais ao imperativo do desempenho e à síndrome do impostor. Há semanas em que saio para caminhar, respiro e recobro a conexão com o que importa. Sei que você está comigo. E isso também importa, bastante.
Obrigada por estar aqui. Por me dizer que faz sentido, que reverbera, que motiva e que algumas vezes emociona.
Seguimos.
Tonalidades Afetivas – Edição Física
Estou preparando uma edição física do Tonalidades Afetivas que vai funcionar num mix de missivas, múltiplos e arte postal. Junto com a carta-texto escrita à mão, enviarei uma mini-colagem original e uma carta do baralho do Truques, catástrofes e tropeços, tirada ao acaso. A proposta é criar uma correspondência artística com texto, imagem, jogo e poesia.
O projeto será realizado em pequenas edições a cada seis meses, com envio de três correspondências. Cada edição será pautada por um trabalho original, de tiragem limitada, alinhavado a poesias minhas e de outros autores. Te interessou? Me manda uma mensagem. Estou começando a abrir as vagas agora e serão apenas 20 pessoas por ciclo.
Tonalidades Afetivas são uma série de cartas de navegação de vida, elaborações de sentido de existência, contação de histórias, intimidade e psicodelias (entendidas como expansão da consciência). Escrevo com ímpeto de elaborar junto. Me deixa feliz saber como isso tudo reverbera em você. Se você leu até aqui, muito obrigada pelo seu tempo e leitura. Aproveita e me conta como bateu por aí. Para saber um pouco mais de mim, vem aqui comigo.





Faz muito sentido e acho que eu já disse que reverbera do lado de cá. Continue em frente recobrando, sim, a conexão com o que importa. Um beijo, querida.